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RA

– A independência fortalece e garante

à categoria uma visão social. Tal fenômeno

ocorreu com a OAB, que não é um órgão

apenas corporativo, mas com dupla função.

É corporativo e também institucional, pois

ao mesmo tempo em que defende a

categoria, também atua em defesa da

sociedade. Uma atividade irmã como a

medicina, que tem como tarefa a promoção

da saúde, e saúde é um problema público

muito grave em nosso país, deveria ter essa

independência para exigir mais do governo.

E isso só será conseguido quando a visão

não for somente corporativa, mas sim

institucional.

RA

– Tivemos esse debate quando do

nascimento da Ordem. Na época, optamos

pela união do trabalho, e assim decidiu-se

que as ações de fiscalização e seleção da

categoria ficariam com a Ordem, cabendo

ao Instituto dos Advogados a função

doutrinária, de debates. O importante é

que houve uma fusão na compreensão do

papel da Ordem dos Advogados do Brasil, e

hoje o Instituto participa de nossas

reuniões, mas com a percepção de que as

t a r e f a s de s e l e ç ão , f i s c a l i z a ç ão ,

regulamentação e institucional em defesa

da advocacia e da cidadania no sentido da

justiça como fator social é prerrogativa da

OAB.

RA

– Esse é o caminho porque somente

através de um Projeto de Lei é que se pode

transformar o Conselho e Associação em

uma espécie de Ordem dos Médicos e não

em uma autarquia especial fiscalizada pelo

poder público. Somente assim será possível

5 - O sr. acredita em muitas

dificuldades de ordem jurídica e

patrimonial?

6 - AMB e CFM pretendem

apresentar um modelo de Ordem à

classe médica e submeter a

proposta em um plebiscito. Se

aprovada, seria encaminhada ao

Congresso Nacional. Acredita que

é um bom caminho?

dar a essa nova entidade a feição que tem a

OAB hoje, uma feição independente,

institucional e, por isso mesmo, respeitada

pela sociedade.

RA

– Sim, porque garante à profissão essa

dupla e importante função mencionada

anteriormente: a social e a corporativa.

RA

– Cabe à OAB a competência de

remuneração dos advogados. Não há

entidade sindical vinculada à Ordem, por

isso é ela que tem o cuidado de zelar pelas

reivindicações da categoria. Atualmente, a

OAB possui comissões que amparam o

advogado nas esferas pública e privada,

alémda defesa nas áreas política e judicial.

RA

– Não se tem dúvida da importância do

Exame de Ordem. A ascensão social pelo

saber é uma forma privilegiada de

democratização no Brasil, um país de

excluídos, no qual empregos públicos são

preenchidos por nepotismo. Ora, se o

acadêmico estuda em uma faculdade

destituída de condições técnicas para essa

ascensão, estaremos corroborando com a

sua frustração social. Por isso, é precisomais

7 - Então o sr. recomendaria a

estrutura formal atual da OAB

como modelo para esta Ordem

dos Médicos do Brasil ?

8 - Como é a relação da OAB com

a área sindical?

9 - Um dos grandes desafios para

as entidades médicas hoje é a

abertura indiscriminada de

escolas de medicina, autorizadas

sem necessidade social ou

condições mínimas de

funcionamento. Sabemos que a

situação dos cursos de Direito não

é muito diferente. A solução da

OAB para qualificar os

profissionais é o Exame de

Ordem. O sr. acredita que algo

parecido também seria necessário

para os médicos?

Entrevista - Raimundo Cezar Britto Aragão

Março | Abril 2007

Jornal da

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rigor nas concessões de instituições de

ensino para que não se perpetue o

fenômeno hoje observado, que é a

mercantilização do ensino. Hoje, o ensino

deixou de ser fonte de saber para se tornar

fonte de lucro por instituições gananciosas.

A OAB atua em duas frentes no sentido de

reverter essa situação. Uma possibilita

o p i n a r n o s c a s o s d e c r i a ç ã o ,

reconhecimento e revalidação de

instituições de direito. Já o trabalho final de

seleção busca garantir a excelência

profissional, ou seja, só deve exercer a

profissão aquele que se comprovar hábil

para tanto, característica que considero

fundamental para o estado democrático de

direito. Essa dupla função da OAB é

importante para manter esse equilíbrio,

permitindo que somente os qualificados

p o s s a m s e t o r n a r a d v o g a d o s .

Recentemente, o Ministério da Educação

colocou a OAB e o Conselho Federal de

Medicina nas mesmas condições para

diagnosticar a abertura de novas escolas de

direito e medicina, respectivamente. São

caminhos como esse que poderiam fazer

com que a qualificação se torne regra e não

exceção.

RA

– Seria fundamental proibir a

autorização dos cursos sem qualificação,

além de acompanhar de perto a fase de

reconhecimento e revalidação. É preciso

ainda que os Conselhos dotem-se de

estrutura interna capaz de realizar

avaliações técnicas. É preciso que invistam

na fiscalização dos cursos e contribuam

com pareceres técnicos que auxiliem o

Ministério da Educação na fiscalização.

Não podemos depender apenas da vontade

do Executivo. Agindo assim, estaremos

contribuindo para a qualificação destes

cursos. A OAB tem comissões de ensino

espalhadas por todo o país que opinam

antes e depois da instalação de uma

faculdade de direito.

10 - Em sua opinião, o que deve

ser feito para combater essa

abertura indiscriminada de

faculdades, tanto na área médica

como no direito?