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Editorial

Chega ao Congresso o que se tem denominado, no jargão parlamentar, “mensagem” do

Presidente. Trata-se da submissão de um acordo diplomático entre Cuba e o nosso País,

prevendo, na prática, reconhecimento automático dos brasileiros graduados pela ELAM

(Escola Latino-Americana de Medicina).

Abre-se o assunto em audiência pública e vêm à tona, em poucas horas de discussão, os

aspectos obscuros da intrigante proposta.

Por que tratamento assim privilegiado àquela escola cubana? Estudantes brasileiros

formados em Harvard, Yale, Princeton, Sorbonne, Pádua, Porto, Lisboa, Coimbra,

Cambridge ou Oxford nunca foram objeto de tanta consideração. E os milhares de brasileiros

que hoje estudamnas faculdades bolivianas?

Estes têm de passar por uma análise de equivalência curricular e, somente após a verificação

da compatibilidade dos programas, submeterem-se a exame de qualificação.

Qual o real objetivo deste programa e quais as razões desta proposta?

Por que os estudantes estrangeiros da ELAM não são selecionados por meio dos mesmos

critérios adotados para os cubanos, mas recomendados por partidos políticos ou

movimentos sociais?

Por que o Itamarati, neste particular, foge do paradigma da bilateralidade? Os estudantes

estrangeiros da ELAM não são autorizados a exercer medicina em Cuba, pois a escola visa

formar quadros destinados a atuar no exterior. Dos pretextos levantados para a aprovação

deste disparate surge a qualidade do ensino médico em Cuba. Mas, por que o índice de

aprovação dos alunos que se candidatam a exames de qualificação é tão baixo?

Outro falacioso argumento é a falta de médicos dispostos a assistir as populações das

regiões mais remotas do Brasil? Não se cogita, no entanto, que os médicos assim

“importados” poderão (pelo menos enquanto prevalecer por aqui o democrático direito de ir

e vir) escolher viver em outras regiões. Exatamente como fazem os outros 310mil colegas em

atividade no Brasil. Isto porque também não se cogita estruturar a assistência nas regiões

remotas e nelas integrar a prática médica. E muito menos elaborar plano de carreira que, à

semelhança do Judiciário, distribua equanimemente recursos humanos na área da saúde.

Onde estamos? Para onde vamos?

Diz-se que não importa quão profundo lhe pareça o buraco em que você se encontra,

enquanto não houver terra por cima, há esperança.

Há propostas que chegam como uma pá de terra.

Março | Abril 2007

Jornal da

A mensagem